Força Tática e Grupo de Apoio
duas faces de uma mesma moeda
DOI:
https://doi.org/10.36776/ribsp.v8i22.330Palavras-chave:
Patrulhamento tático, Força Tática, Grupo de Apoio, isomorfismo institucional, descentralizaçãoResumo
Este artigo analisa as tensões institucionais e os efeitos sociológicos associados ao discurso, recorrente na Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (PMMT), de que as Unidades de Força Tática deveriam estar vinculadas exclusivamente aos municípios-sede dos Comandos Regionais. Parte-se do problema de pesquisa sobre quais interferências esse enunciado produz na organização do patrulhamento tático e em que medida ele contribui para a emergência e consolidação dos Grupos de Apoio (GAP) subordinados aos comandantes de batalhão. Como hipótese, sustenta-se que a consolidação do GAP expressa não apenas uma demanda por autonomia decisória e operacional no nível batalhão, mas também dinâmicas latentes de reserva de poder, reconfiguração simbólica e formação de novas “comunidades morais” no interior do campo policial-militar. Metodologicamente, adota-se abordagem quanti-qualitativa, com método hipotético-dedutivo e estratégia de observação participante, articulando pesquisa documental e bibliográfica. A análise incorpora evidência empírica de similaridade textual entre documentos doutrinários (via ferramenta de detecção de similaridade), complementada por inferências dedutivas e análise de conteúdo. Os achados indicam que a centralização das Forças Táticas nas sedes regionais atua como mecanismo organizacional e simbólico de controle, estimulando respostas isomórficas no nível batalhão, com potenciais efeitos sobre legitimação interna, padronização doutrinária, seleção profissional e disputas por status. Conclui-se que repensar a relação entre centralização e descentralização do patrulhamento tático demanda critérios institucionais explícitos de governança, delimitação de competências e mecanismos de profissionalização compatíveis com a natureza especializada da atividade.
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