A inteligência de ordem pública

Uma provocação ao debate frente os impactos geopolíticos

Autores

  • João Marcos Tanan Sales Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC)

DOI:

https://doi.org/10.36776/ribsp.v9i23.294

Palavras-chave:

Inteligência, Ordem Pública, Geopolítica, Segurança Pública, problemas complexos

Resumo

O presente artigo analisa os impactos da reconfiguração geopolítica contemporânea sobre a ordem pública, considerando a transição de cenários marcados pela lógica VUCA para a dinâmica BANI e seus reflexos na capacidade estatal de gestão de riscos e ameaças. Parte-se do problema de pesquisa relacionado à insuficiência das abordagens tradicionais de segurança pública diante da complexidade dos chamados wicked problems, que envolvem múltiplos atores, incertezas e interdependências sistêmicas. O estudo justifica-se pela necessidade de ampliar o escopo analítico e operacional das instituições de segurança, especialmente das Polícias Militares, frente à erosão das fronteiras entre ameaças internas e externas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, baseada em revisão bibliográfica e análise documental, com emprego da técnica de análise de conteúdo. Como resultado, evidencia-se que a Inteligência de Segurança Pública, quando restrita a uma lógica reativa e investigativa, mostra-se insuficiente para lidar com os desafios contemporâneos. Propõe-se, assim, a adoção do conceito de Inteligência de Ordem Pública, com abordagem sistêmica e multidimensional, capaz de integrar variáveis sociais, econômicas e políticas no processo decisório. Conclui-se que tal reconfiguração constitui um imperativo estratégico para a promoção da resiliência estatal e da governança proativa, embora demande delimitações normativas e arranjos institucionais que evitem sobreposição de competências e centralização indevida de poder.

Biografia do Autor

João Marcos Tanan Sales, Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC)

Tenente-Coronel da Polícia Militar de Santa Catarina, com atuação nas áreas de inteligência, segurança pública, análise criminal e gestão pública. Atualmente exerce a função de Diretor de Inteligência Estratégica da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Santa Catarina, atuando na produção de inteligência estratégica, análise criminal e apoio à formulação e avaliação de políticas públicas de segurança.Graduado no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar de Santa Catarina e em Ciências Políticas. Possui especializações em Inteligência Estratégica, Inteligência Criminal e Administração de Segurança Pública, além do Curso Superior de Inteligência Estratégica pela Escola Superior de Defesa do Ministério da Defesa e formação internacional como Máster Profesional de Analista de Inteligencia pelo LISA Institute (Espanha). Possui formação profissional em inteligência policial, contrainteligência e operações de inteligência por instituições como Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP/MJSP) e Polícia Militar do Estado de São Paulo.Ao longo da carreira exerceu funções de comando, análise e coordenação em unidades de inteligência e operações, incluindo chefia de agências de inteligência e coordenação de equipes de operações de inteligência, inteligência e contrainteligência. Participou da equipe de elaboração da Estratégia Nacional de Inteligência de Segurança Pública (2019) no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Atua também na formação profissional de oficiais de segurança pública, integrando o corpo docente das Escolas Superiores de Oficiais da Academia de Polícia Militar da Trindade e colaborando como instrutor em cursos do Ministério da Justiça e Segurança Pública nas áreas de inteligência e metodologia de produção do conhecimento.Áreas de atuação: Inteligência estratégica, inteligência policial, análise criminal, segurança pública, gestão pública e produção de conhecimento em inteligência.

CV: http://lattes.cnpq.br/1590176798804146

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Publicado

2026-05-17

Como Citar

Tanan Sales, J. M. (2026). A inteligência de ordem pública: Uma provocação ao debate frente os impactos geopolíticos. Revista Do Instituto Brasileiro De Segurança Pública (RIBSP), 9(23), 50–66. https://doi.org/10.36776/ribsp.v9i23.294