A inteligência de ordem pública
Uma provocação ao debate frente os impactos geopolíticos
DOI:
https://doi.org/10.36776/ribsp.v9i23.294Palavras-chave:
Inteligência, Ordem Pública, Geopolítica, Segurança Pública, problemas complexosResumo
O presente artigo analisa os impactos da reconfiguração geopolítica contemporânea sobre a ordem pública, considerando a transição de cenários marcados pela lógica VUCA para a dinâmica BANI e seus reflexos na capacidade estatal de gestão de riscos e ameaças. Parte-se do problema de pesquisa relacionado à insuficiência das abordagens tradicionais de segurança pública diante da complexidade dos chamados wicked problems, que envolvem múltiplos atores, incertezas e interdependências sistêmicas. O estudo justifica-se pela necessidade de ampliar o escopo analítico e operacional das instituições de segurança, especialmente das Polícias Militares, frente à erosão das fronteiras entre ameaças internas e externas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, baseada em revisão bibliográfica e análise documental, com emprego da técnica de análise de conteúdo. Como resultado, evidencia-se que a Inteligência de Segurança Pública, quando restrita a uma lógica reativa e investigativa, mostra-se insuficiente para lidar com os desafios contemporâneos. Propõe-se, assim, a adoção do conceito de Inteligência de Ordem Pública, com abordagem sistêmica e multidimensional, capaz de integrar variáveis sociais, econômicas e políticas no processo decisório. Conclui-se que tal reconfiguração constitui um imperativo estratégico para a promoção da resiliência estatal e da governança proativa, embora demande delimitações normativas e arranjos institucionais que evitem sobreposição de competências e centralização indevida de poder.
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