Autoritarismo afetivo e soberania seletiva

quando a imagem substitui a lei e o cassetete se torna réu

Authors

  • Clodoaldo Matias da Silva Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
  • Cláudio Sérgio Matias da Silva Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
  • Tiago Mendes de Souza Polícia Militar do Amazonas (PMAM)
  • Janderson Gustavo Soares de Almeida Universidade Estácio de Sá (UNESA)

DOI:

https://doi.org/10.36776/ribsp.v8i22.318

Keywords:

Affects. Baton. Punishment. Repression. Sovereignty.

Abstract

A pesquisa analisa criticamente as transformações contemporâneas no exercício da soberania estatal, com ênfase na emergência do autoritarismo afetivo e na legitimação punitiva por meio da imagem. Investiga-se como discursos mobilizados por medo, ressentimento e comoção operam seletivamente a repressão penal, desestabilizando os fundamentos da legalidade democrática. A construção do “inimigo” e a espetacularização da violência institucional são observadas como práticas simbólicas que reorganizam o campo jurídico, deslocando a função judicante do processo formal para o tribunal da opinião pública. O objetivo é compreender os efeitos da substituição da norma pelo espetáculo na responsabilização do Estado e de seus agentes. A pesquisa adota metodologia qualitativa, com enfoque crítico e bibliográfico, estruturada pela análise interdisciplinar de dispositivos jurídicos, narrativas midiáticas e racionalidades políticas que sustentam o uso seletivo da força. Os resultados preliminares indicam que a soberania passa a operar sob máscaras emocionais, nas quais a seletividade da punição encontra legitimação simbólica mais eficaz do que a legalidade formal. A responsabilização estatal, quando ocorre, decorre da pressão visual e afetiva, e não da eficácia normativa dos mecanismos de controle institucional. Conclui-se que a justiça é recodificada pela estética da violência, e que a imagem do cassetete — ora símbolo de autoridade, ora figura do excesso — transita entre o aplauso e a denúncia conforme o afeto mobilizado. A pesquisa propõe repensar o papel do Direito diante das novas gramáticas do poder punitivo e da soberania seletiva, onde a performance pública da repressão suplanta a racionalidade da norma.

Author Biographies

Clodoaldo Matias da Silva, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Mestrando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Especialista em Antropologia Social, Antropologia Forense, Docência do Ensino em Antropologia, Ensino de Filosofia, Sociologia e História, Neuropsicopedagogia e Psicanálise Clínica, Psicanálise, Psicoterapia e Psicopatologia do Adolescente, bem como em História e Cultura Indígena e Afro-brasileira, pela Faculdade do Leste Mineiro (FACULESTE). Graduado em Geografia pelo Centro Universitário do Norte (UNINORTE). Atua como professor nas áreas de Geografia, Educação, História e Filosofia, com experiência no Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Ensino Superior. Desenvolve práticas pedagógicas fundamentadas na interdisciplinaridade, na educação inclusiva e na valorização da diversidade sociocultural, com ênfase em contextos amazônicos. Membro do Núcleo de Produção Científica e Editoração do Curso de Direito da Universidade do Estado do Amazonas (NEDIR/UEA) e editor assistente da Equidade: Revista Eletrônica de Direito da UEA. Autor de artigos e livros nas áreas de educação, sustentabilidade, cultura e direitos humanos, com atuação em orientação acadêmica e produção científica articulada às interfaces entre Antropologia, Educação, Direito e Justiça Social.

CV: http://lattes.cnpq.br/0610689835831570

Cláudio Sérgio Matias da Silva, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Policial Civil do Estado do Amazonas, especialista em Leitura e Produção Textual pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM e em Direito Penal e Ciência Jurídicas pela Faculdade Integrada Jacarepaguá – FIJ. Graduado em Língua e Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM.

CV: http://lattes.cnpq.br/4633949537406674

Tiago Mendes de Souza, Polícia Militar do Amazonas (PMAM)

Policial Militar do Estado do Amazonas, especialista em Segurança Pública pela Faculdade de Minhas – FACUMINAS Acadêmico do curso de Graduação em Segurança Pública pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI.

 

Janderson Gustavo Soares de Almeida, Universidade Estácio de Sá (UNESA)

Possui graduação em História pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2015), graduação em Pedagogia pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2017), graduação em Tecnologia da Gestão Pública pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2020), graduação em Formação Pedagógica Segunda Licenciatura - Ciências Sociais pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2021), possui especialização em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2016), possui especialização em Administração Escolar, Supervisão e Orientação pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2019), Mestrado em Educação pela Universidade Estácio de Sá (2024) e Atualmente Doutorando pela Universidade Estácio de Sá em Educação e Cultura Contemporânea com Bolsa Prosup Capes. Professor Mestre - (Secretaria de Estado de Educação do Amazonas e Secretaria Municipal de Manaus) e atualmente na função de Diretor Escolar da Prefeitura Municipal de Manaus. Estou como Professor Horista no Centro Universitário Fametro, no Curso de Pedagogia. Estive como Professor Parcial - Horista na Uninorte (AM) nos cursos de Licenciatura em Pedagogia e História.

CV: http://lattes.cnpq.br/0219291203016592

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Published

2026-02-16

How to Cite

da Silva, C. M., Silva, C. S. M. da, Souza, T. M. de, & de Almeida, J. G. S. (2026). Autoritarismo afetivo e soberania seletiva: quando a imagem substitui a lei e o cassetete se torna réu. Revista Do Instituto Brasileiro De Segurança Pública (RIBSP), 8(22), 9–22. https://doi.org/10.36776/ribsp.v8i22.318